CAIO COPPINI COMPLETA UMA DÉCADA NOS DECKS
Em meados de 2001, Caio Coppini (foto) fez sua primeira gig. Em meio a uma cena que rolava com festas pequenas, armadas nos poucos clubs que existiam na época em Ibiúna e São Roque (interior paulista), Caio começou a tocar e realizar eventos, como uma espécie de "Anderson Noise" local. Hoje, 10 anos mais tarde, o DJ e produtor relembra momentos inesquecíveis de sua carreira e vive sua melhor fase, com assédio de selos do mundo todo. Confira abaixo o bate-papo que a Electro M.A.G. levou com ele.

Electro M.A.G.: Qual foi a sua primeira gig? Como era a cena eletrônica na sua região em 2001?
Caio Coppini: Apesar de me considerar disc-jockey desde 2001, minha primeira gig oficial como DJ contratado foi em março de 2002 em Ibiúna/SP, onde moro. Aconteceu em um clube já desativado, próximo à entrada principal da cidade, que se chamava Aloha, e a festa era a Smile Eletronic Party - ainda tenho guardado de recordação o flyer. Anos antes, por volta de 1997, já participava de algumas festas menores, mas nunca com qualquer pretensão de que aquilo se tornasse profissão.

Electro: Cite as 10 tracks mais relevantes de seu case nesses 10 anos de atividades.
Caio: Difícil responder essa, hein! Mas vou dizer algumas das faixas que me renderam aplausos e elogios nesses 10 anos: Shake It - Lee Cabrera; The Rivington Suite - Gui Boratto; Just a Little More Love (Wally Lopez remix) - David Guetta; So Many Times - Gadjo; Drop the Pressure - Mylo; Praise You (Mora & Naccarati remix) - Fatboy Slim; Magic Morning - Ludovic Vendi; Born Slippy - Underworld; Silence (Niels Van Gogh vs Thomas Gold remix) - Delerium feat. Sarah McLachlan; White Flower (Jerome Isma-Ae remix) - Orli & Martie.

Electro: Você começou a "flertar" com o estúdio em 2006, não? De lá pra cá, numa espécie de exercício de autocrítica, como analisa a evolução do seu trabalho como produtor musical?
Caio: Correto! Neste ano consegui conciliar meus horários, encarar alguns softwares de produção musical e nada como um dia após o outro dentro do estúdio, à procura da melodia ideal e do groove perfeito na criação de cada track. Acredito que em termos de criação evoluí bastante. Tenho recebido ótimos feedbacks, sempre positivos, de pessoas de todos os cantos do Brasil e do mundo. Agora, quanto à parte técnica da produção, a tal da "mix perfeita", tenho que concordar que sempre podemos apresentar melhores resultados em novos projetos, isso é fato. Mas, acho que melhorei muito depois de acostumar os ouvidos com os novos equipamentos adquiridos recentemente.

Electro: Produtores renomados como Xerxes e Renato Cohen costumam dizer que a vida de produtor no Brasil nunca foi fácil. Boa parte desta "reclamação", no início da década passada, estava ligada à indústria fonográfica. Mesmo com o advento dos selos digitais, você acha que eles ainda estão certos sobre isso?
Caio: Em termos. Atualmente, temos ótimos selos digitais nacionais, com fortíssima representação internacional. Entretanto, ainda é muito difícil, sim, ter um EP lançado por uma grande gravadora e contar com o poder de divulgação que elas têm para divulgar seu trabalho. Isso ainda é muito difícil de conseguir aqui no Brasil.

Electro: Até que ponto produzir tracks próprias ajuda no trabalho de um DJ? Você tem recebido algum tipo de feedback de grandes artistas sobre suas tracks?
Caio: Ajuda sim, e muito! Colocar sua identidade nas tracks é demais. Pois tudo que vai para as pistas você tem a possibilidade de fazer o último ajuste, aquele brilho que faltou, a verdadeira "polida" final e buscar melhores resultados nas músicas para o público.

Electro: Nesses 10 anos de carreira, conte um episódio engraçado que já aconteceu com você na cabine.
Caio: Nossa, foram tantos (risos)! Todos que trabalham na noite sofrem alguns "deslizes", e comigo isso parece acontecer com certa frequência. Como, por exemplo, tropeçarem no palco e derrubarem as caixas de retorno ou bebidas nos equipamentos. Mas, às vezes, a surpresa pode ser positiva! Certa vez, em uma festa à fantasia em Itu (SP), os poucos seguranças presentes vacilaram e a vibe da galera era tanta que o palco onde eu estava tocando foi simplesmente invadido! Metade da pista de dança subiu no palco largo e curtiu a festa do meu lado. Foi fantástico! (risos)

Electro: Como você vê o futuro do progressive no mundo? Em que produtores você mais se inspira atualmente?
Caio: Vejo em grande ascensão, principalmente no Brasil. Com tantas vertentes que temos dentro da house, o progressive se destaca e cativa um público elegante, que gosta de ouvir um som mais fino, sem muita "quebradeira". Ouço frequentemente esse tipo de comentário: "Que música gostosa pra dançar!". Acompanho de perto os sons de Michael Woods, Leventina, Daniel Portman, Lish, Ticon e Weekend Heroes, dentre outros do gênero.

Electro: Na música eletrônica, o Brasil já se destacou no exterior com vertentes como drum'n'bass (com Marky e Patife) e techno (Anderson Noise, Renato Cohen, Murphy e Gui Boratto). Você acha que os artistas de progressive no país têm competência pra também fazer sucesso de amplitude global?
Caio: Todos os brasileiros citados acima ganharam seu espaço na cena mundial pelo que já criaram e vêm criando até hoje. Se você consegue levar pra pista essa vibe perfeita, de um modo autêntico e inovador, basta trabalhar mais e mais. No meu caso, busco fazer sempre o melhor, me dedicando ao máximo para as novas faixas ficarem de acordo com o que o público procura em um bom set de prog house. Há muitos produtores brasileiros da nova safra lançando ótimos trabalhos no exterior - e muitas de suas tracks aparecendo em diversos playlists de top DJs pelo mundo. Então, se houver uma dosagem certa de dedicação, contando, claro, com um pouco de sorte e uma divulgação eficiente, poderemos sim presenciar uma reviravolta parecida, com novos brasileiros disputando os primeiros lugares dos principais portais de venda de música eletrônica do mundo.

Electro: Quais os próximos trabalhos à vista?
Caio: Acabo de assinar o lançamento de minha nova track, Confidence , por um selo do Canadá, chamado DeepMoon. Vai ser muito bacana, pois a faixa terá remixes do canadense Jul Räken e dos britânicos Dirty Rhythm Syndicate e Stevie Veja. Deve sair em breve pelo Beatport. Também estou trabalhando no remix da faixa Gotik , de Jason Bralli, um dos maiores hits brasileiros da música eletrônica da década passada. Além de tudo isso, nossa equipe está seriamente empenhada em uma turnê internacional. Teremos novidades em breve!

INFORMAÇÕES:

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